Total de visualizações deste Blog

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Novas demandas

Se o projeto demora para sair do forno, quando sai, é preciso correr contra o tempo. E como há muitas expansões feitas por pressão imediata da demanda, os prazos das obras estão sendo cada vez mais comprimidos. "Às vezes, se paga muito mais caro para cumprir ou reduzir o prazo", comenta Hermann. Isso porque se trata de indústrias, cujos resultados valem milhões por dia.

Iniciativas como essas são muito comuns no segmento e impactam a tomada de decisão sobre os projetos. Segundo Giani Pfister, da Racional, se, por um lado, esse aquecimento do mercado está forçando a melhoria do planejamento da obra, por outro, tem provocado mudanças drásticas no processo executivo. "Tive um cliente que havia projetado um edifício vertical em concreto e, frente a uma questão logística e de falta de carpinteiro, transformou a edificação em metálica. Tivemos uma redução de 60 dias, e isso representa muito dinheiro para uma indústria", diz.

O 5. Estudo de Benchmarking em Gerenciamento de Projetos Brasil, realizado anualmente pelo PMI (Project Management Institute), mostrou que o não-cumprimento de prazos (66%), falhas de comunicação (64%) e mudanças constantes de escopo (62%) lideraram a lista das principais deficiências apontadas pelas 184 empresas (entre elas, Petrobras, Nestlé, Vale, Votorantim, Lojas Renner, Natura, Gerdau, IBM, HP e BNDES) que participaram da sondagem.

São constatações como essas que, segundo Giani, estão mudando o perfil da construção (ainda vista como um serviço de execução de empreitada) nesses empreendimentos. "Antes, a gente precificava e construía, agora, a construtora passa a ser não apenas uma executora, mas também aquela que analisa a viabilidade do projeto e o adapta segundo as circunstâncias", acredita.

Leonardo D'Enfeldt, da Patri, também acredita nessa tendência. Segundo ele, a contratação por empreitada oferece mais riscos tanto para a construtora quanto para o cliente, pois não agrega soluções de engenharia construtiva ao projeto, executado, muitas vezes, a partir de informações imprecisas. "Os clientes têm a tendência de passar o projeto para a empresa de equipamento - que não tem core-business para isso e, assim, deixam de fazer um projeto completo e integrado com quem é especializado nisso", diz. Do lado da construtora, esse modelo também traz dificuldades. "O cliente compara meu orçamento com o da fornecedora de materiais, ignorando que existe toda uma gestão na construção, que é o que torna a obra dele mais barata. A construtora ainda faz concorrência com a fornecedora dela", comenta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário